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 16 de Abril de 2026

Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) foi aprovado nesta sexta-feira (9) pelo Conselho da EU. Com a previsão de ser assinado no dia 17 em Assunção, Paraguai, o tratado estabelece as bases da maior zona de livre comércio do mundo, envolvendo cerca de 700 milhões de pessoas.
 
Embora celebrado por governos e setores industriais, o acordo ainda enfrenta resistência de agricultores europeus e ambientalistas, que criticam possíveis impactos sobre o clima e a concorrência agrícola. A implementação será gradual e os efeitos práticos devem ser sentidos ao longo de vários anos.
 
Após a assinatura formal, o acordo ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu. Partes que extrapolam a política comercial, como acordos técnicos, exigirão ratificação nos parlamentos nacionais da UE, o que pode alongar o cronograma e abrir espaço para disputas.
 
Confira os principais pontos do acordo:
 
1. Eliminação de tarifas alfandegárias
 
-Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços;
-Mercosul: zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos;
-União Europeia: eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.
 
2. Ganhos imediatos para a indústria
 
-Tarifa zero desde o início para diversos produtos industriais.
 
>>Setores beneficiados:
 
-Máquinas e equipamentos;
-Automóveis e autopeças;
-Produtos químicos;
-Aeronaves e equipamentos de transporte.
 
3. Acesso ampliado ao mercado europeu
 
-Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo;
-UE tem PIB estimado em US$ 22 trilhões;
-Comércio tende a ser mais previsível e com menos barreiras técnicas.
 
4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis
 
-Produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação;
-Acima dessas cotas, é cobrada tarifa;
-Cotas crescem ao longo do tempo, com tarifas reduzidas, em vez de liberar entrada sem restrições;
-Mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus;
-Na UE, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil;
-No mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.
 
5. Salvaguardas agrícolas
 
>>UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente se:
 
-Importações crescerem acima de limites definidos;
-Preços ficarem muito abaixo do mercado europeu;
-Medida vale para cadeias consideradas sensíveis.
 
6. Compromissos ambientais obrigatórios
 
-Produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar ligados a desmatamento ilegal;
-Cláusulas ambientais são vinculantes;
-Possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris.
 
7. Regras sanitárias continuam rigorosas
 
-UE não flexibiliza padrões sanitários e fitossanitários.
-Produtos importados seguirão regras rígidas de segurança alimentar.
 
8. Comércio de serviços e investimentos
 
>>Redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros.
 
>>Avanços em setores como:
 
-Serviços financeiros;
-Telecomunicações;
-Transporte;
-Serviços empresariais.
 
9. Compras públicas
 
-Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na UE;
-Regras mais transparentes e previsíveis.
 
10. Proteção à propriedade intelectual
 
-Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias;
-Regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais.
 
11. Pequenas e médias empresas (PMEs)
 
-Capítulo específico para PMEs;
-Medidas de facilitação aduaneira e acesso à informação;
-Redução de custos e burocracia para pequenos exportadores.
 
12. Impacto para o Brasil
 
-Potencial de aumento das exportações, especialmente do agro e da indústria;
-Maior integração a cadeias globais de valor;
-Possível atração de investimentos estrangeiros no médio e longo prazo.
 
13. Próximos passos
 
-Assinatura prevista para 17 de janeiro, no Paraguai;
-Aprovação pelo Parlamento Europeu;
-Ratificação nos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai;
-Entrada em vigor apenas após conclusão de todos os trâmites;
-Acordos que extrapolam política comercial precisam ser aprovados pelos parlamentos de cada país.

 

 
 
 

 

 

 

*Com informações Agência Brasil

 

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